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Nota de solidariedade ao professor Evandro Medeiros

O Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Sul e do Sudeste do Pará – SINDUNIFESSPA – vem por meio desta nota: expressar sua solidariedade ao professor Evandro Medeiros; tornar público seu repúdio à ação da mineradora Vale em apresentar queixa que resultou em processo criminal contra o referido professor; e expressar veemente discordância em relação à inciativa do Ministério Público do Estado do Pará em apresentar denúncia contra nosso colega docente, baseado em acusações de materialidade absolutamente questionável.
Photo: Sindunifesspa
Além da pesquisa e do ensino, realizar atividades de extensão é uma das atribuições da universidade pública federal, o que pressupõe interlocução com os vários setores da sociedade, motivo pelo qual não podemos nos furtar ao debate de temas sociais emergentes e, quando necessário, à tarefa de denunciar irregularidades que violem os direitos da população da sociedade em que a universidade está inserida.

Este é o motivo do ato realizado em 20 de novembro de 2015, quando um grupo de cerca de 30 pessoas realizou um protesto na cidade de Marabá, levando para as margens do trilho da Estrada de Ferro Carajás, cartazes pintados à mão em solidariedade às vítimas do desastre de Mariana, que alguns dias antes, acarretou na devastação de toda a bacia hidrográfica do rio Doce à jusante da barragem de rejeitos que rompeu, operada pela mineradora Samarco, controlada pela mineradora Vale e pela BHP Billiton.
Entre os manifestantes, encontravam-se muitos de nós, docentes desta universidade. Não éramos liderados por Evandro Medeiros, estávamos numa ação coletiva, por compartilharmos das mesmas críticas ao modus operandi da mineradora.

O ato durou pouco menos de uma hora, embora sua importância enquanto ação político pedagógica não deva ser subestimada, diante da participação de estudantes, professores, moradores do local e militantes de movimentos sociais que, para além de manifestar de forma legítima sua indignação contra a irresponsabilidade de uma empresa, construíram também um espaço para empreender o imprescindível debate sobre o trágico desastre socioambiental que enlameou o país. Debate tão imprescindível que, mesmo com toda a exposição midiática internacional da tragédia de Mariana, recentemente, outra barragem de rejeitos se rompeu no começo do ano de 2019, a barragem da mina do Córrego do Feijão, operada pela Vale em Brumadinho - MG.

Cabe ressaltar que durante a manifestação não houve interdição da linha férrea. Nenhum trem de carga ou passageiros interrompeu seu trajeto devido à manifestação. A docência nos ensina, entre outras coisas, o cuidado. Assim como Evandro, jamais colocamos em risco a vida de quem quer que seja. Assim como Evandro, jamais expomos os estudantes a situações que ameacem sua integridade física. Quem faz isso com as pessoas é a mineradora Vale, como fica cada vez mais claro para todo o povo brasileiro.

E é por sabermos que a mineradora Vale mantém inúmeras barragens de rejeitos em nossa região, que não podemos nos furtar a discutir sobre os riscos envolvidos e chamar a atenção da sociedade para os mesmos através de todos os meios disponíveis, aí incluídos atos e manifestações públicas.

Após Mariana, a Vale, criminosa reincidente, assassinou mais uma vez centenas de pessoas, agora em Brumadinho - MG, e mais uma vez, o desastre que protagonizou foi antecedido e seguido por um estarrecedor menosprezo de executivos e investidores da empresa à vida humana e à integridade ambiental.

Nesta semana, os jornais voltaram a noticiar um acidente com derrubada da ponte sobre o rio Moju por uma balsa, ligada à empresa Biopalma, subsidiária da Vale, em que sobejam indícios de ilegalidade na operação de transporte de carga.

Para nós, docentes e pesquisadores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, a mineradora Vale é uma empresa criminosa. Como apontam recorrentemente pesquisas desenvolvidas por docentes e estudantes de programas de pós-graduação da UNIFESSPA e de outras instituições, as atividades da mineradora impactam de forma negativa, direta e indiretamente, a vida de pessoas em inúmeras comunidades ao longo do percurso da ferrovia em que o ato foi realizado e no entorno das áreas de mineração no estado do Pará.

Quando a Vale processa criminalmente Evandro Medeiros, trata-se, antes de mais nada, de uma iniciativa de criminalização das lutas sociais, uma tentativa de intimidação coletiva, tendo como alvo todos aqueles que se colocam críticos e mobilizados politicamente contra os crimes da mineradora.

Evandro não era o líder da manifestação. Evandro, como todas as pessoas presentes ao ato, era um cidadão exercendo seu direito legítimo à expressão de suas opiniões. A obstinada e absurda perseguição ao nosso colega nos parece ter outros motivos, que a empresa, cada vez mais notória pelo mau-caratismo com que é gerida, não traz à tona, uma vez que honestidade não é seu forte.
Em abril daquele mesmo ano de 2016, o FIA CINEFRONT, festival de cinema de nossa universidade, organizado por uma equipe que conta com Evandro entre seus integrantes, apresentou uma série de filmes que denunciam as práticas de opressão social da mineradora contra camponeses e garimpeiros, além da devastação ambiental na região. A sessão final do referido festival serviu também de espaço para que uma comitiva de representantes dos povos indígenas Gavião, da Terra Indígena Mãe Maria, denunciasse as arbitrariedades cometidas pela Vale contra eles.

Além disso, durante todo ano de 2015, juntamente com Alexandra Duarte, Evandro trabalhou na produção do documentário "Aquém Margens", realizado no bairro Araguaia, local onde aconteceu a manifestação de novembro. O documentário expõe, de forma exemplar, e após exaustiva e criteriosa pesquisa, a realidade vivida por jovens pobres às margens da Estrada de Ferro Carajás.
Desde suas ações críticas como docente à publicização de dados sobre a realidade regional através do cinema e da dedicação à organização de eventos culturais, Evandro Medeiros apenas reafirma aquilo que é sua responsabilidade como profissional da universidade. Porque é isso que nós docentes universitários fazemos: ensino, pesquisa e extensão! 

Seguiremos, como Evandro, realizando nosso trabalho crítico enquanto professores universitários, repudiando toda e qualquer forma de censura e criminalização de nossas atividades.
Nós não somos criminosos! Evandro não é um criminoso! A Vale, sim! 

Portanto, é a mineradora que deve ser criteriosamente investigada e punida pelos inúmeros crimes e tragédias socioambientais, determinantes e decorrentes dos rompimentos das barragens que opera, cujas evidências saltam aos olhos de quem quer que tenha a triste oportunidade de visitar as áreas que serviram de palco para estas tragédias.

Em decorrência, exigimos, enquanto categoria, que a Vale respeite o direito democrático dos cidadãos de expressar suas opiniões e retire a queixa crime contra o professor Evandro Medeiros. Conclamamos ainda o Ministério Público do Estado do Pará a retirar a denúncia oferecida em desfavor de nosso colega.
Professores universitários não são criminosos, somos trabalhadores da educação!
Evandro Medeiros não é criminoso, é um trabalhador da educação, cumprindo seu dever como educador crítico e comprometido socialmente!

Crédito Sindunifesspa

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